PAINEIRA FLORIDA
Paineira florida, às margens da rodovia, bem em frente ao presídio... Quantos não te veem? Quantos jamais te viram? Beleza despercebida, olhar que não instruíram. A raiz de todo mal é não ver tuas flores, ignorar aquilo que pode atenuar o que é dor. Sem remédio, o desespero, o crime, a dolosa ilusão, os frutos preteridos, o mormaço, o medo, a dor, a prisão. Curioso o fato de tuas pétalas terem a cor da roupa das mulheres que ali vêm visitar quem descoloriu a primavera. Lição tardia aos detentos é o arrependimento que corta: trocariam tudo, eu sei, pelo vento que tuas folhas sopra. Paineira florida, à beira da estrada, pede a nosso Pai que absolva os que não sabem de nada, todos nós, tão marginais, presos lá dentro ou aqui fora a inocência e a culpa esfolhadas naqueles que ficam e nos que vão embora. * * * Cadeira 27T Patrono: DEMÉTRIO IVAHY BADARÓ RICARDO ESTEVÃO DE ALMEIDA Formado em Jornalismo e em Letras e pós-graduado em Língua Portuguesa. Possui cinco romances de ficção publi...