VIAGEM INESQUECÍVEL
Corria o ano de 1960. Aquela viagem de ônibus se tornara estafante. Parecia que jamais chegaria a seu destino. Eu tinha acabado de completar seis anos de vida e já conseguia entender algumas coisas que aconteciam ao meu redor, mas não compreendia totalmente o drama da minha jovem mãe, que sempre procurava disfarçar o choro. O barulho do motor daquele velho coletivo me irritava. Meu irmão caçula chorava no colo de mamãe, que tentava acalmá-lo com leite misturado a água; eu mesma havia presenciado o preparo da mamadeira. Meu irmão mais velho dormia no assoalho do ônibus sob a poltrona que ocupávamos. Parecia não se importar com a trepidação daquela geringonça, que trafegava há dias por aquelas estradas esburacadas. Através da janela, eu ficava a observar a paisagem que se descortinava verde e bela, tal qual o quadro que vira exposto na calçada de uma rua movimentada, na última cidade onde paramos. O vento açoi...