A GUARDA IMPERIAL

No mês de setembro de 2022, comemoramos os 200 anos de nossa Independência, que ocorreu em 7 de setembro de 1822 em São Paulo. E quero iniciar este meu texto, citando um poema de Balthazar de Godoy Moreira, um dos maiores poetas de Pindamonhangaba, que relembra o maior evento cívico que nosso país já teve, do qual participaram dez de nossos conterrâneos, o que muito nos orgulha e nos incentiva ao amor à pátria e aos princípios cívicos e morais.


INDEPENDÊNCIA


Desde a alvorada do descobrimento

Quantos anos levaram a abafar-te no seio

Pátria! O teu grande sonho, o teu fervido anseio

De ser livre um momento!

Quantas vezes dobraram-te a cerviz!

O cadafalso infame ergueram quantas vezes

Em teu solo, mudando em sangue e em reveses

O teu sonho feliz!

Mas não se tolhe a um povo a liberdade!

Depois de cada crime e de cada violência


Clareava-te o destino o ideal da liberdade

Com mais forte veemência!

E quando no Ipiranga, altivo e forte

Encarnando do povo o desejo bendito

De ser livre ou morrer, ergueu D. Pedro o grito

“Independência ou morte!”

Seu gesto não foi mais que a sagração

Da vontade de um povo invencível, viril!

Porque, forte e senhor de si mesmo, o Brasil

Já era uma nação



D. Pedro seguiu do Rio de Janeiro para São Paulo, partindo a cavalo no dia 14 de agosto de 1822, para resolver problemas que estavam afetando o governo regencial da época. A viagem do Príncipe Regente durou um total de 11 dias, tendo chegado a Pindamonhangaba no sétimo dia, onde era muito esperado. Manuel Marcondes de Oliveira Mello era o comandante do 3o Esquadrão da Guarda de Honra, que teve a glória de ser testemunha do Grito do Ipiranga.

Aqui, D. Pedro hospedou-se num sobrado situado na Praça Formosa, hoje nossa praça Monsenhor Marcondes. Aí, depois de repousar, D. Pedro recebeu, na manhã seguinte, várias homenagens das mais tradicionais famílias pindamonhangabenses e dos novos integrantes da Guarda Imperial.

Essa Guarda de Honra do Príncipe D. Pedro era composta por vários elementos de diversas cidades, desde o Rio de Janeiro até Mogi das Cruzes. Os participantes nascidos em Pindamonhangaba se destacaram por estarem em maior número (17). Eram eles: Adriano Gomes Vieira de Almeida, Antônio Marcondes Homem de Mello, Benedito Corrêa da Silva, Domingos Marcondes de Andrade, Francisco Bueno Garcia Leme, João Monteiro do Amaral, Manuel Ribeiro do Amaral, Miguel de Godoy Moreira e Costa, Manuel de Godoy Moreira e o Cel. Manuel Marcondes de Oliveira Melo.

Esses dez estiveram presentes no momento do Grito do Ipiranga, e outros cinco compuseram a Guarda de Honra também, embora não estivessem lá presentes. São eles: Antônio Salgado Silva, o Visconde da Palmeira, Cândido Marcondes Ribas, José Romeiro de Oliveira, Rodrigo de Oliveira Bueno de Godoy Moreira e Manuel Marcondes do Amaral. Posteriormente, descobriu-se que houve mais dois nomes: Manoel da Costa Paes Leme e Antônio Cerqueira César – o que perfaz o total de 17.

Alguns desses ilustres homens foram enterrados na Igreja São José, um valioso patrimônio histórico desta cidade, considerada Panteão Cívico Nacional, a qual recebeu a urna com os despojos do Príncipe Regente em 2 de setembro de 1972, quando das comemorações do sesquicentenário da Independência do Brasil. Depois disso, a urna seguiu para São Paulo, onde permaneceu no Palácio do Governo até o dia 6 de setembro, sendo levada finalmente para o Monumento do Ipiranga, em frente ao Museu Paulista (antigo Museu do Ipiranga), e depositada na Cripta Imperial do mausoléu, junto com as duas esposas do príncipe, Leopoldina e Amélia.

D. Pedro foi calorosamente homenageado por todos os cidadãos desta cidade em 1972, depois de 150 anos, da mesma forma como o foi no dia 22 de agosto de 1822, quando partiu daqui com a Guarda Imperial. Uma grande festa foi feita nesta cidade quando chegou o ano de 2022, prestando as devidas homenagens à ele e aos componentes da Guarda Imperial.

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Cadeira 34T

Patrono: MATHEUS MARCONDES ROMEIRO NETO

ELISABETE NOGUEIRA DA SILVA GUIMARÃES


Nascida em Pindamonhangaba, casada, mãe de três filhos, avó de cinco netos. Professora de Língua Portuguesa, Literatura Portuguesa e Brasileira, e Língua Inglesa. Especialista nas áreas de Língua Portuguesa e Redação Oficial e para vestibulares, e, também, em Língua Portuguesa e Gramática aplicada ao texto. Ministrou aulas em escolas públicas e privadas, na Universidade de Taubaté, Fasc/Famusc e Unesp-Guaratinguetá, aposentando-se em 2002. Fundou em Pindamonhangaba a escola “Alfabete Cursos Preparatórios”, que contribuiu para a Educação por quase 25 anos. Foi presidente do Conselho Municipal de Cultura, presidente da Associação Cultural e Turística de Pindamonhangaba, Diretora de eventos do Clube Literário de Pindamonhangaba, secretária do Conselho de Patrimônio Histórico e Meio Ambiente da Prefeitura de Pindamonhangaba, secretária da Academia Pindamonhangabense de Letras por 8 anos e presidente desta mesma instituição por 8 anos.

Publicou doze livros, alguns em parceria, com temáticas e gêneros distintos: poemas, crônicas, ensaios, história e romances.

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