QUÍRON
Paulo Tarcizio da Silva Marcondes
Cadeira 05T
E eu vou ao sol, subindo a serrania.
Lá em cima quase esqueço este lugar,
Mas desço, condenado, à estrebaria.
Até hoje esse deus não quis me dar
O campo que eu sonhei que merecia.
Deu-me esta janela e olhos para olhar:
Da janela olho o campo que eu pedia.
Difícil de entender a minha mágoa?
Se tenho o feno e a alfafa e o capim e a água,
Se tenho a aveia e não me falta o trigo…
Minha angústia é que eu já fui livre e inteiro:
Fui o Cavalo e o próprio Cavaleiro,
Na integridade de um centauro antigo.

Em versos decassílabos nosso querido acadêmico Paulo Tarcízio nos presenteou com esse belo soneto onde um cavalo reivindica sua descendência mitológica!
ResponderExcluirO instinto animal pediu por redenção ao seu Deus cavaleiro. Como pode a divina razão antagonizar com a liberdade?
Todos somos centauros, onde a natureza selvagem e a necessidade de civilidade e intelecto coabitam um único corpo. Quem reconhece essa dualidade pode alcançar o pleno conhecimento, a real sabedoria, caso contrário, em algum momento, nos permitimos rédeas e antolhos, e nossa força natural acaba servindo a um Deus que nos garante feno, água, trigo, uma janelinha e verdejantes campos para vislumbrar!
Em que momento nos desgarramos de nossa força vital mais primitiva em nome de uma insípida e "eficiente" sobrevivência?
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Salve Mestre PAULO TARCIZIO e ...
ResponderExcluirseu DOM de nos INSPIRAR ... e mover rumo a introspecção. AVANTE nos ILUMINAR ...