QUÍRON

 Paulo Tarcizio da Silva Marcondes
Cadeira 05T

Às vezes o deus vem me cavalgar
E eu vou ao sol, subindo a serrania.
Lá em cima quase esqueço este lugar,
Mas desço, condenado, à estrebaria.

Até hoje esse deus não quis me dar
O campo que eu sonhei que merecia.
Deu-me esta janela e olhos para olhar:
Da janela olho o campo que eu pedia.

Difícil de entender a minha mágoa?
Se tenho o feno e a alfafa e o capim e a água,
Se tenho a aveia e não me falta o trigo…

Minha angústia é que eu já fui livre e inteiro:
Fui o Cavalo e o próprio Cavaleiro,
Na integridade de um centauro antigo.



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