LIVROVALE 2021
Continuo com sonhos exóticos. Desta vez, uma confraternização de antigos membros da Academia Pindamonhangabense de Letras, patronos e convidados. Condição sine qua non para participação: “Ser morador do segundo andar”. Local, sobre as nuvens do Pico do Itapeva.
Para maior motivação, uma feira de livros. Autores de ontem e de hoje, publicados no Vale do Paraíba. Em cada estande, o brasão e a bandeira da respectiva cidade. Abertura com Hino Nacional, executado pela querida e centenária Banda Euterpe.
Frei Galvão, o santo de Guaratinguetá, complementou com Pater Noster qui es in caelis... Mensagens incessantes no celular forçaram seu afastamento por alguns minutos. Maternidades de vários estados clamavam sua presença e pílulas às parturientes. Com seu dom de bilocação, atendia a duas localidades simultaneamente. Retornando, continuo distribuindo seus dezesseis poemas em Latim. Foi mestre nessa língua e membro da primeira Academia de Letras de São Paulo, 1770.
Guimarães Rosa, com gratidão, referiu-se aos acadêmicos da APL que, liderados por Paulo Tarcísio, estudam sua obra.
Monteiro Lobato, foi lacônico: “Um país se faz com homens e livros. Pindamonhangaba, terra fecunda do saber e da aptidão”.
Padre José de Anchieta autografou e doou exemplares de sua principal obra: De Beata Virgine Dei Mater, Maria.
Francisco de Assis Barbosa (Academia Brasileira de Letras) afirmou: “Jovens também escrevem. De Guaratinguetá, minha terra, o Sítio do Juca promove concursos literários com estudantes de cidades da região. Anualmente resulta uma excelente antologia. Liderança do Prof. Diógenes e apoio de amigos. Também na “Terra das Garças Brancas”, a Escola Joaquim Vilela publica trabalhos de seus alunos. Em 2018, um livro de crônicas, em 2019, um de contos, orientação do prof. e escritor Alexandre Marcos Lourenço Barbosa”.
Cassiano Ricardo, também da ABL, falou sobre a Academia Jovem de Letras, de São Paulo, onde empossou quarenta poetas adolescentes. Incentivando-os, comentou aspectos da obra de Ovidius (43 a.C. - 18 d.C.), o qual iniciou escrevendo aos dez anos. De maneira semelhante, com essa mesma idade, o poeta de São José dos Campos mergulhava no oceano das letras.
Outros convidados presentes na confraternização: Machado de Assis, Olavo Bilac, Castro Alves, José de Alencar, Malba Tahan, Euclides da Cunha, Aluísio de Azevedo,Guilherme de Almeida, Marcílio Dias, Álvaro de Azevedo, Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz, Oswald de Andrade, Dinah Silveira de Queiroz, Câmara Cascudo, Alberto de Oliveira, Mario Quintana, Érico Veríssimo, José Lins do Rego, Manuel Bandeira, Jorge Amado, Cyro dos Anjos, Cecília Meireles, Vinícius de Moraes e muitos vale-paraibanos amantes de Letras.
Assim se expressou um antigo e saudoso membro da APL: “Há muitos anos, uma saudável interação entre a APL e escolas de Pindamonhangaba promove concursos de redação, desenho e pintura para estudantes da cidade. Aos vencedores, diplomas e livros.
Famosos escritores tomaram gosto pela literatura ou pintura ainda na infância. Eis alguns membros de nossa Academia que se apaixonaram pela literatura e/ou escrita desde tenra idade:
— Neila Cardoso, com poesias maravilhosas, publicou seis livros;
— Érica Araújo, aos dezenove, já havia escrito meia dúzia de volumes (contos, crônicas e poemas) de elevado padrão;
— Elaine Santos, muitas preciosidades, principalmente contos e poemas. Porém, sua maior paixão é a Literatura da Língua Portuguesa. Atualmente, é doutoranda pela tradicional Universidade de Coimbra, em Portugal. De Pindamonhangaba, agora em terras de Camões, uma estrelinha muito a brilhar.”
Palavras de um saudoso Patrono da APL: “Registrar a história do torrão natal ainda que, parcialmente, é verdadeira prova de amor. Este atributo já foi demonstrado por muitos filhos de Pindamonhangaba.
Hoje focalizamos um deles. Referimo-nos ao Dr. Francisco Piorino Filho. Convém conhecer o currículo desse cidadão octogenário de reputação ilibada. Incansável guardião da riquíssima história da “Princesa do Norte”.
Há vinte anos, publicou “Biografias”. Obra de imenso valor histórico, abrangendo as origens da APL, bem como detalhadas biografias de membros e patronos. Bastaria esse trabalho para incluí-lo no círculo dos filhos apaixonados pela história local. Porém, ele continua pesquisando e escrevendo, principalmente biografias de devotados cidadãos que muito fizeram para enobrecer a querida Pindamonhangaba. São quatorze obras resgatando um passado que não pode ser esquecido”.
Em sua costumeira modéstia, diz o autor: “São opúsculos”.
O Dr. Piorino, há décadas, é membro titular da APL. Com muito dinamismo, foi presidente por três mandatos. Atualmente é presidente de honra. Continua lutando por um antigo sonho: sede própria para a Academia Pindamonhangabense de Letras.
Machado de Assis (Membro Fundador da Academia Brasileira de Letras)
“Com um grupo de confrades da ABL, desfrutamos de prazerosas leituras das Antologias 2012 e 2019 da APL. Excelente qualidade literária. Parabenizamos os autores cum laude.
Cidades que, como Pindamonhangaba, contam com seleto corpo de poetas e prosadores, devem muito se orgulhar.
Sabemos que nos cinquenta e oito anos de vida da APL, dezenas de preciosas obras foram publicadas, além de inúmeras atividades culturais e educativas.
Sobre o desejo do acadêmico Dr. Piorino, consideramos mui altruísta e meritório”.
Muitos aplausos, canto do Hino de Pindamonhangaba, foto oficial e entrega de brindes. Antiga coleção do tabloide NHENGATU-MIRIM, coleção da revista EXEMPLAR contendo textos de acadêmicos, e um pen-drive com todos os textos e fotos produzidos por membros da APL e publicados no tradicional TRIBUNA DO NORTE, um dos maiores orgulhos da cidade.
Desceram a serra no “trenzinho de Emílio Ribas”. Este narrava a história da E.F. Campos do Jordão. Nos bancos um folheto:
“Formosa e ousada ferrovia
Netinha da linda “Princesa”,
Num século de ardente amor,
Com o Paraíba querido e sofrido
Desenha a cruz do Redentor”.
Rumaram diretamente a São Luiz do Paraitinga. Oswald Cruz, Elpídio dos Santos e Mazzaropi, anfitriões, aguardavam os nobres visitantes para o “afogado”, a pamonha de Lagoinha e a cachaça de Jambeiro.
Seguiu-se brilhante palestra do Dr. Emílio Ribas sobre pandemia e vacinas. Elogiou seu companheiro de luta, o Dr. Carlos Finlay. Externou gratidão ao acadêmico Dr. Lelis Nogueira pela publicação da obra “Emílio Ribas, o guerreiro da saúde”, divulgando sua heroica batalha pela saúde dos brasileiros.
Não faltou uma apresentação de marchinhas carnavalescas.
Encerrando a festança, um tour de helicópteros pelas cidades valeparaibanas. A aeronave de Anchieta esticou o voo para que ele matasse saudade revendo o planalto da Capitania de São Vicente, onde erigiu a capela e a escola em 1554, atual Pátio do Colégio.
Emocionado, orava, cantava, chorava... Era difícil assimilar a “pequena” transformação de 467 anos.
Em sonho, tudo é possível.
SEBASTIÃO NELSON DA CRUZ In Memorian
Natural de Roseira, nascido aos 24 de agosto de 1937. Casado, uma filha e dois filhos, três netas e um casal de bisnetos. Militar da Aeronáutica (reformado), bacharel em Direito, professor de Latim, sócio fundador do Rotary Club Roseira, membro da Academia Pindamonhangabense de Letras (Cadeira 25T).
Escreveu: livro de crônicas: “Roseira era assim...em 1945 e anos seguintes” – caderno de crônicas: “Pindaitiba nos tempos da II Guerra” - caderno de crônicas e poesias: “Reminiscências” – caderno de pesquisas: “Latim, língua morta?”. Participou das Antologias 2012 e 2019 da APL.

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