TAMYA

 Samuel Messias de Oliveira

Nadava sozinho na Praia do Sapateiro, na Ilha Anchieta. Era um entardecer, destacavam na paisagem o Morro do Papagaio e o do Farol. 

O verde multitonante se despedia do sol. A água do mar já principiava a esfriar enquanto a noite caía.

Por trás de tudo, se escondia a história.

O silêncio abriu uma porta por onde eu podia espiar o passado.

Lá estavam os tupinambás na tapira (casa). Altos e fortes, bronzeados e armados, guardavam o cacique Cunham bebe…

Postos avançados no alto dos morros e nas praias, preparavam fogueiras para aquecer a noite fria do inverno, onde o vento forte do sul vinha de todos os lados após entrar na Baía das Palmas.

Centenas de índios guerreiros se revezavam entre a Ilha Põ-quâ (pontuda, nome indígena da Ilha Anchieta) e a taba de Iperoig (hoje cidade de Ubatuba).

Os Tamyas ou Tamoios (donos das terras) preocupavam-se com os inimigos tupiniquins e se inquietavam com a possível presença “peró” dos portugueses. Mesmo assim, eram superiores... Donos das terras e em maior número, dominavam todo o litoral. Havia muita caça e pesca para alimentar a todos. Eram felizes. Eram tupinambás, e eu estava lá…

É muito significativo o deleite que me causam as lembranças de Põ-Quâ, minha ilha selvagem e bela; meu mar azul, com praias lindas de água transparente. Fartura de peixes e vista maravilhosa do continente abundantemente rico, com trilhas que sulcavam a Mata Atlântica permeando a Serra do Mar em busca do grande rio daquele Vale tão distante, de extensa planície de terras férteis, aos pés de outra serra, ainda maior, a Mantiqueira, onde grandes nuvens habitavam.  Muita chuva mantinha o volume perene das águas do grande rio que descia para o mar, ainda mais distante.

Do outro lado dessa imensa e alta serra, o que teria? Assim cismavam os tupinambás. Ouvia-se dizer que eram terras sem fim abrigando tribos de povos desconhecidos que, um dia, que só Tupã sabia, poderiam ser mais próximos de nós, tupinambás. Esses povos não imaginavam como é o nosso mar, talvez até tenham ouvido falar um pouco.

Vivíamos entre o verde e o azul.  Verde das matas, azul do mar e azul do céu, onde é o nosso lugar. Foi deixado pelos antepassados tamoios que, agora, também somos. Os donos dessa terra, a Terra Tamoia.

* * *

Cadeira 14T

Patrono: JOSÉ MONTEIRO FRANÇA SAMUEL MESSIAS DE OLIVEIRA


Nasceu em 1º de novembro de 1.947 em Itatiba, SP, casado, residente e domiciliado em Pindamonhangaba, SP. Grau de Instrução: 5º Anista de Direito/ UNITAU.

Serviu ao Exército Brasileiro e à Polícia Militar do Estado do Estado de São Paulo. Passou para a reserva no posto de Tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Estagiou e trabalhou na Casa de Detenção na Penitenciária do Estado de São Paulo, no Recolhimento Provisório de Menores (FEBEM), no Instituto de Reeducação de Tremembé.

Comandou o Destacamento de Polícia Militar de Redenção da Serra, a Guarda Militar na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté. Foi Ronda Setorial no Radiopatrulhamento de Taubaté, escrivão da Seção de Justiça e Disciplina do 5º Batalhão e instrutor da Escola de Formação de Soldados no 5º BPMI. 

Em Pindamonhangaba – SP foi Supervisor de Força Patrulha (1990 a 1996), período em que foi comunicador social da 2º Companhia PM, transmitindo notícias policiais pelas Rádios FM 94,5 e Difusora. Foi, por seis anos, colunista do Jornal da Cidade da Rede de Jornais Associados e Diretor do jornal Notícias Policiais- Vale do Paraíba e Litoral Norte. Foi aprovado no Curso de Qualificação Profissional de Radialista - Setor Locução, pelo Senac de Taubaté.

É autor dos livros “Ilha Anchieta- Rebelião”, “Fatos e Lendas”; “Ilha Anchieta - O Prisioneiro do Pavilhão 6” e coautor do livro “Casa de Custódia - Revoluções, Rebeliões e Berço do PCC “(este escrito em parceria com o Coronel Lamarque Monteiro), entre outros.

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