POESIA: UM FATOR HISTÓRICO-SOCIAL
Os tempos hodiernos exigem, em relação aos idiomas, mais do que “Cultura da Língua e da Literatura Nacional”. Essa Cultura não deve ficar alheia aos assuntos que se relacionam com as vicissitudes e com os interesses da comunidade, uma vez que, como fator histórico-social que é, tem que aprofundar as suas raízes na terra e na gente donde lhe provêm a seiva, a força, a estabilidade, devendo aprimorar o idioma, fiel ao passado, receptiva ao futuro, consciente de que o povo é o maior e o mais fecundo dos autores.
Dessa maneira, surge a Poesia como fator histórico-sócio-cultural presente em todas as línguas como expressão maior do pensamento e das vibrações do coração do homem em todas as épocas.
Se alongarmos os nossos olhos até os quadros da proto-história, assistiremos à presença da Poesia na vida da humanidade. Eram Poemas os papiros hieráticos do Pentateuco; eram Poemas os Livros dos Profetas, o Cântico dos Cânticos, os Salmos de Davi, os Livros Canônicos dos Brâmanes, os Manuais de Sabedoria de Buda e Confúcio.
Verificamos que a preocupação da beleza, a busca obstinada da justiça e da verdade, desde os tempos mais remotos, sempre estiveram vinculados à Poesia, porque, hoje, observamos que, dentro da expansão materialista de nossos tempos, dentro do esplendor das descobertas físicas, no soberano apogeu das Ciências Positivas, o que ressalta, em verdade, o que sobrenada em definitivo é justamente, o domínio espiritual, o império da Poesia. Nunca foi mais forte do que hoje, ante o cientificismo que escraviza o homem, a necessidade da Poesia. Esse ser único que, dotado de espírito metafísico, medita sobre as origens das origens, e a causa das causas, sendo pois, um “animal religioso” como afirmou o filósofo Schopenhauer, é o também o único a se comover e se achar irremediavelmente pequeno, a se ajoelhar diante de Deus, na crença do poder da Divindade, crença esta que não é apenas geradora de Poesias, porque a Poesia já é por si mesmo, crença em Deus! Religião! É sentimento que constitui o traço da verdadeira, inextiguível semelhança entre os homens na face da terra! Sim, o homem, na verdade, é um animal religioso, mas também um animal artista, pensante, animal Poeta.
Arte e Sabedoria, Ciência e Poesia continuarão a ser para sempre imperativos inexoráveis da natureza humana. Poesia e todas as Artes! Poesia e todas as Ciências! Arma suprema do homem para a tentativa de enxergar a luz e de suportar a existência. “O verdadeiro sentido das coisas eternas é a Poesia”, afirmou Hemingway, ao receber o Prêmio Nobel de Literatura.
Poesia é termo de língua fenícia, já vigente vinte séculos antes de Cristo, composta de duas partes: “Phoe” que significa voz, linguagem, e “Ishia”, que quer dizer beleza da vontade, da mensagem de Deus. Vejam os leitores a responsabilidade que assumimos quando pensamos em nos atribuir o nome de POETAS.
A Poesia se exprime predominantemente no verso, mas não reside no verso. A Poesia é essência, o verso é forma. Ela existe por si mesma, mesmo que não haja verso para exprimí- la. Se o verso for perfeito e exprimir a Poesia, receberá o nome de Obra de Poeta. Se não expressar Poesia, ainda que composto com elegância e graça, receberá o nome de versejador. Dessa maneira, existem inúmeros versejadores e poucos Poetas.
Jamais podemos perder esse norte: POESIA só existe de fato, por sua missão excelsa e obrigatória de trazer ideia, que é a contínua tentativa de explicar a vida, e beleza, que se desvela na evocação do incognoscível que nos cerca.
Patrono: RÔMULO CAMPOS D ́ARACE
JOSÉ VALDEZ DE CASTRO MOURA
Médico, professor universitário, Mestre e Doutor pela U.S.P., membro da Academia Pindamonhangabense de Letras, da Academia Limoeirense de Letras e da Academia Paulista de Jornalismo. Magister ad Honorem pela Universidade de Bolonha (Itália). Presidente da União Brasileira de Trovadores (U.B.T.) - Seção de Pindamonhangaba e do Conselho Estadual da U.B.T.

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