SERVIÇO DE ALTO-FALANTE PARAÍBA

 Francisco Piorino Filho
Cadeira 06T

Coube aos irmãos José e Vicente Salgado a ideia e a implantação do Serviço de Alto-Falante Paraíba, aos 2 de fevereiro de 1945 que permaneceu ativo até meados de 1960. O “Alto-Falante” tinha seus estúdios nos baixos do prédio (porão), onde antigamente era o Clube Literário e que foi demolido para a construção do Edifício “Emílio Ribas” pelo senhor Miguel Ângelo Imediato Filho. No alto do antigo prédio ficava a “corneta” que levava o som para a praça e a longas distâncias, dependendo dos ventos.

No pequeno espaço aconteciam programas tal qual uma emissora de pequeno porte: noticiários, programas sociais, programa de calouros, notas esportivas e informativas a qualquer momento. Bem, nos lembramos que entre os calouros, apresentavam para cantar: Sofia Marcondes e Abelardo Araújo, este, imitando e bem, Vicente Celestino. Havia também um grande imitador de Nelson Rodrigues!

Suas transmissões verificavam-se das 19h às 19h30 e das 20h às 21h ou até 22h, principalmente em dias de domingos e feriados. Às 19h30, as transmissões eram interrompidas em respeito à “Voz do Brasil”, pois mesmo sendo um simples alto-falante, a lei exigia interrupção ou retransmissão do programa governamental.

O “Alto-Falante”, depois dos irmãos Salgado, passou a ter como proprietários os senhores: Carlos Ramos Mello, Antonio Guimarães Filho e José Prates da Fonseca (Zelão).

No tempo em que fomos gerentes do SAFP – Sistema de Alto-Falante Paraíba, tínhamos como colegas de trabalho, entre outros de que nos lembramos: Armin Hein, Fernando Prado Rezende, Jair Marcondes (Mário) Edrink da Silva.

Para ser locutor do “Alto Falante”, fizemos teste com o amigo Antonio Leite, já falecido e que por muito tempo teve um programa de entrevista na TV Band Vale. Assumimos a “chefia” a pedido do amigo Zelão e lá permanecemos desde o final de 1951 até 1955, quando saímos para nos casar.

A gerência ficou com Armin que adquiriu os direitos.

Bom é informar que quando assumimos e todos os colegas de trabalho nada recebiam, ficando nosso trabalho apenas para resgatar débitos. Somente em fins de 1953, cada um da equipe passou a ganhar CR$ 50,00 (cinquenta cruzeiros) mensais, moeda da época, por ordem dos proprietários.

Firmas patrocinadoras: Casas Pernambucanas (através de jingles), Barraca do Compadre, Café Mantiqueira, Bar do Jorginho, Rádio Técnica Paulista, Casa Excelsior, Casa Brasileira, Casa Rodrigues, Armazém Santa Rosa entre outras de que não nos lembramos mais.

O “Alto-Falante” foi aprendizagem para os locutores: Jota Marcondes (Rádio Difusora), Franco Neto (Jovem Pan), Antonio Leite (Emissora de São José dos Campos e TV Band), Jamil Samahá (Rádio Nacional do Rio de Janeiro), Percy Lacerda (Difusora local, Rádio Aparecida, Rádio Difusora de Taubaté e outras da região) que, só não foi trabalhar em televisão por motivos particulares, vez que sua voz era muito boa.

Graças ao “Alto-Falante”, passamos a fazer programas da “Difusora”, na década de 1960.

Também o “Alto-Falante” retransmitia partidas de futebol, aos domingos, a partir das 15h30, através da Rádio Bandeirante e da Tupi. Pode o leitor não acreditar, mas nos primeiros anos de 1950 a praça ficava com seus bancos tomada para ouvir o jogo retransmitido, vez que nem mesmo o rádio de pilha era comum.

E a “Gazeta Esportiva” dava apoio ao “Alto-Falante” e as emissoras citavam nosso órgão o que nos dava orgulho em ouvir...

“Transmitimos em cadeia com o SERVIÇO DE ALTO-FALANTE PARAÍBA DE PINDAMONHANGABA."



Comentários

  1. Como as coisas mudaram, né?!

    Quem diria que nos primeiros anos da década de cinquenta as pessoas se reuniam na praça Monsenhor Marcondes para ouvir partidas de futebol?!

    Nosso saudoso Francisco Piorino Filho foi testemunha desse tempo e nos deixou esse interessante relato de fatos que antecederam as rádios de hoje.

    Sinta-se sintonizado na história da comunicação em Pinda!
    COMENTE e COMPARTILHE!

    ResponderExcluir

Postar um comentário