SEREIA DE UBATUBA

Samuel Messias de Oliveira
Cadeira 14T

         Quando estou na Ilha Anchieta, deixo-me divagar nas asas da imaginação e, assim, passo sobre aquelas matas, morros, rochas e belas praias…

Sempre me deparo com a brevidade do nosso tempo por esse mundo.

Quantos poderosos não se iludiram, achando-se eternos possuidores daquele paraíso. Porém foram traídos pela ilusão do corpo físico decadente.

O poder, às vezes, corrompe o senso de realidade. Faz-nos ignorar o princípio básico “do pó ao pó tornará”...Também acredito na eternidade, mas da alma.

Vendo a beleza da ilha, constato que, de real nos sonhos dos líderes que ali viveram e dela se sentiram “donos”, restou mesmo somente ela; deles, “apenas histórias”...

Ilha Anchieta, bela como és, teus próximos “donos”, certamente, terão sonhos semelhantes, mas se cada um deles se espelhar nos anteriores, saberá que rainha é tu...que continuas através dos anos, a encantar com teus mistérios de sereia fascinante os incautos navegantes…

Teus encantos podem se transformar em veneno adocicado que levam teus vaidosos possuidores ao encontro da agonia, culpa e esquecimento…

Por falar nisso, fazemos jus ao lembrar o maior de todos os líderes que por ali passaram. Dentre os caciques da Nação Tupinambá se destacou Cunhambebe, que reuniu os guerreiros de seu Povo Tamoio, na época dos padres Anchieta e Manuel da Nóbrega, livrando seus índios da escravidão portuguesa e colaborando na expulsão dos franceses do solo brasileiro, tempo em que ANCHIETA ficou como refém dos Tupinambás em Iperoig, hoje Ubatuba.

CUNHAMBEBE foi o primeiro dono da Sereia. Trouxe paz para portugueses e índios no Litoral Norte na segunda metade do século XVI.




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