UNIVERSO PERDIDO

Cadeira 11T

Às vezes, submerso

Em fatigáveis raciocínios

Perdido num universo

De golpes e latrocínios

Esbarro em forma emergente

De um manso e fresco lago

E o meu sangue efervescente,

Como obra de um deus ou mago,

Corre suave, macio e manso

E a paz abranda-me a alma.

Leve flutuo, até o céu alcanço,

Inundando-me etérea calma.


Às vezes, num universo

De golpes e raciocínios

Perdido e submerso

Em fatigáveis latrocínios

Esbarro num vulcão raivoso

Que vomita lava incandescente

E o meu sangue suave e moroso

Súbito borbulha como fervente,

Corre abrupto e incontrolado

E a minha alma, num terror infernal,

Flamejante vítima do vulcão irado,

Perde-se sem princípio, meio ou final.




Comentários

  1. Existimos entre a calma e a raiva, entre a irritação e o prazer, entre vulcões raivosos e mansos lagos,... Estar vivo é lidar com sentimentos contraditórios. O primeiro passo para o autoconhecimento é reconhecer essa condição de inconstância dentro de nós mesmos.

    Nosso querido Alberto Santiago se utiliza de versos concisos para descrever a oscilação de uma consciência que vagueia de forma quase pendular entre a paz e a ira. Os mesmos versos se modificam sutilmente para alterar a condição do eu lírico, demonstrando que uma força imanente o afeta e traz sentimentos antagônicos ao seu espírito.

    Está tudo aqui: Na poesia toda imanência transcende!

    Você é mais de vulcões irados ou mansos lagos?
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