NO OLHO DO CICLONE

 Eva Andrade
Cadeira 08T

Para o querido professor Howard J. Resnick

Para Ana Maria Guimarães Iadeluca


   Certa vez, quando eu era uma garotinha e morava no interior de Pernambuco, o meu pai, que já não se encontra mais entre nós, revelou-me que costumava subir a serra do sítio que tínhamos e lá, mais próximo das nuvens, sentava-se sobre uma pedra para meditar nos desafios da vida e para chorar. Após essa profunda catarse, ele descia a serra, restaurado, aliviado, conectado, num movimento de retorno aos seus para continuar a dança das lidas! Hoje, eu o compreendo profundamente e, impressionada, deparo-me conscientemente lhe seguindo os passos!

   Recentemente, uma amiga muito linda me contou sobre algumas das aventuras que permearam suas andanças. Ela rememorou casos em que até por perigos passou! Foram ameaças que colocaram em risco sua segurança, sua vida! Impressionada, exclamei como ela era corajosa por manter incólumes os seus valores, e ela redarguiu com uma ideia há muito conhecida por mim, mas que tantas vezes não coloco em prática. A ideia, eu a parafraseio aqui, pois, quando a minha amiga se deparar com estas linhas, tenho certeza de que ao menos uma lágrima lhe será vertida posto que reconhecerá como as minhas palavras são suas. Quando estamos atordoados, diante de situações de grande risco, podemos visualizar que estamos num templo onde simplesmente fechamos os olhos e meditamos. Com esse simples exercício, a sombra se esvai, o perigo também, e tudo miraculosamente se resolve. “Viver é perigoso”, disse tantas vezes a personagem Riobaldo do mestre Guimarães Rosa, na obra “Grande sertão: veredas”. Porém, a insustentabilidade do desespero deve ser mediada, de alguma forma! Assim posto, concluo que minha amiga tem muita razão! Hoje, vejo o mundo como uma malha em que tudo se conecta. E a mente tem poderes muitas vezes insondáveis. Mas, é preciso abrirmos suas portas e acharmos a calmaria …

   Outra alusão que vem ao encontro dos dois casos – a prática de meu pai subir a serras e se conectar consigo próprio na solitude de um sítio; e o exercício de minha amiga em se ver meditando num templo quando diante de si situações de impacto se insurgem – é a do olho do ciclone. Segundo pesquisas, o olho do ciclone é a região do fenômeno onde as condições climáticas são amenas. Assim, embora estejamos cercados pela devastação, por desafios e por tormentos, é premente que, para o nosso bem e para o bem do próximo, mantenhamos calma e foco, bem no olho do ciclone. Dessa forma, nossas ações, mais objetivas e racionais, nos concederão felicidade e beneficiarão o mundo!





Comentários

  1. Qual foi a última vez que você parou para pensar sobre a vida? Geralmente essa atitude acontece por conta de um baque, um momento de dificuldades e entristecimento. No meio de algumas tempestades que a vida nos traz nos prostramos e a necessidade de refletir vem como uma solução natural e silenciosa!

    Nossa amiga Eva Andrade compartilhou conosco reflexões necessárias a qualquer pessoa que busca por ataraxia e uma vida funcional. Diante dos dilemas que nos surgem há sempre um ponto seguro de onde as perspectivas são favoráveis; às vezes devemos nos distanciar para compreender um problema, às vezes, surpreendentemente, a resolução de uma crise se dá fechando os olhos por um instante, ali mesmo, no meio da tormenta!

    Existe um templo dentro de nós e dali emana a nossa força interior, nossa coragem! Para acessar esse altar interior precisamos respirar e apaziguar a mente: princípios básicos da meditação!

    Refletir, meditar, rezar (como queira!) é resgatar forças, é apoderar-se do presente, é alargar os sentidos diante da vida.

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    https://apl-pindamonhangaba.blogspot.com/2026/07/no-olho-do-ciclone.html

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