MINHA AVÓ FEZ 98 ANOS
Minha avó completou 98 anos de idade no dia 9 de agosto de 2025. Mais que isso, verdadeiramente comemorou seu aniversário. Em meio a visitas de amigos queridos, familiares e fãs, minha avó sorria, abraçava e contava suas histórias de vida.
Lúcida, sorridente, falante. A audição já faz uns 10 anos não é mais a mesma, mas ela não quer corrigir. O andar também mudou, agora ela precisa de ajuda da minha mãe para ir aos cômodos da casa, mas também se recusa a usar a cadeira de rodas que está lá à disposição.
Minha mãe corta um dobrado com a velhinha, às vezes teimosa, e que se recusa a ter tudo isso de idade. Às vezes é difícil, principalmente à noite, quando minha avó teima em querer levantar sozinha várias vezes para ir ao banheiro. E não consegue, claro. Mas ela persiste, quer levantar sem ajuda, andar sem ajuda, fazer tudo de maneira independente como sempre fez. Por que mudar agora? Às vezes ela entende, mas, na maioria das vezes, se esquece e tenta. E lá está minha mãe, que se materializa magicamente na frente dela, para dar o apoio necessário. Não é fácil, mas está tudo ótimo. São 98 anos de vida vivida diariamente, sem a necessidade de medicamentos, sem alteração na pressão ou na glicose, com uma força nas pernas surpreendente. Frutos de uma genética e um modo de vida de muito esforço físico, de alimentos da horta. Uma vida de quem se virou, deu seus pulos, aprendeu e ensinou. E ainda ensina.
A audição às vezes vem, às vezes vai. Mas a atenção é total. Muitas vezes ela comenta as notícias da TV e quer tirar dúvidas de assuntos que ela entende que a afetam. Ela também se maravilha com as paisagens da TV, da janela do carro, da varanda e com os vídeos de internet; está sempre agradecendo as gentilezas das pessoas ao seu redor.
De vez em quando algumas gafes, comentários altos demais, mas como ela mesma diz, “ninguém é de ferro, né”. Sua rotininha é muito organizada e coordenada por minha mãe, com os momentos de soneca, lanchinhos entre as refeições, dia de lavar os cabelos e secar ao sol da janela do seu quarto, pois ela detesta secador de cabelo. Tem também o dia em que a
Fran vai cortar suas unhas, o dia de cortar os cabelos na Neide, as consultas com o Dr. Bettoni. Minha avó está aqui. Presente.
Às vezes, fala a mesma coisa várias vezes (quem nunca?) e outras saca frases motivacionais ou bem humoradas. Ontem mesmo falou para seu bisneto que queria viver uma nova vida a partir de agora; que fez uma promessa que não brigaria tanto com a minha mãe. Depois esqueceu. Ou talvez não, vai saber se não era uma tática...
Muito feliz em ter minha avó aqui, esse exemplo de vida e talvez um exemplo do que nós ainda vamos viver e do tanto que podemos. A preocupação dela segue sendo a mesma: como ela vai fazer se minha mãe morrer; quem vai cuidar dela? Afinal, o tempo está passando rápido demais. Sim, aos 98 anos, ela nem cogita outra hipótese, nunca cogitou.
E a gente pensa muito sobre a longevidade. Eu, pelo menos, penso nisso. Que não tenho uma filha, por isso não terei uma pessoa como minha mãe é para minha vó. Que tenho que trabalhar muito para garantir cuidados e saúde na minha velhice, para quando chegar a essa idade toda. E que talvez antes disso eu tenha que ser a filha cuidadora da minha mãe e não consiga dar conta. Tantas coisas passam pela cabeça, mas agora não é hora de preocupação. É hora de agradecer a genética boa que a gente reza pra ter também, e fazer a nossa parte pra ter essa saúde toda, física e emocional. Viva a vó Irene!

A população idosa está crescendo, atingindo idades mais avançadas e gozando de mais qualidade de vida! Essa é uma dádiva da nossa era e, ao mesmo tempo, um desafio para quem cuida e é cuidado! O nosso carinho, zelo e respeito são postos a prova e nessa hora sabemos do que se trata o amor incondicional! Simplesmente caminhamos de mãos dadas e fazemos o possível por quem amamos...
ResponderExcluirNossa acadêmica Fernanda Munhoz nos trouxe o exemplo de vivência que muitos já conhecem e outros tantos sabem que viverão"! Uma coisa é certa: Não há o que temer. Somos seres rasgados pelo tempo durante toda a vida e nesse sentido temos muito a aprender com nossos anciões! São as últimas lições e cada passo que damos junto a eles dignifica a existência de todos!
Então rasguemo-nos de ternura! COMENTE e COMPARTILHE!