A ARTE DO SACI
Eu tenho um saci, é pequenininho
É o caboclinho mais lindo que eu vi
Tem dentes branquinhos que nem o luar
E tem uns olhinhos de brasa a brilhar.
Aula de folclore da professora Cinira Novaes Braga - Irmã Cecília
Minha história
Contam os antigos, que houve um momento na terra que tudo estava interconectado. Um todo só. Numa explosão essa massa se separou e a perna do saci ficou na África de onde o saci vivia e ele acabou caindo na outra parte desse todo, o Brasil.
Observando onde se encontrava, se encantou com as belezas do sertão. Havia animais de grande porte, pequenos também, muitos pássaros, borboletas coloridas, montanhas bordadas de flores e árvores com muitos frutos diferentes.
Foi se enturmando e influenciando à sua volta com os costumes de sua tradição.
Incorporou o jeito moleque brasileiro, tornando-se dele, o sertão: guardião.
Com os impactos da covid-19, se fechou no mato com muito medo. Foi para a cidade só para tomar vacina e naquele momento tão tenso torna-se reflexivo e pensa... “A mãe Terra tão generosa, tudo nos dá, mas o homem dela tem se esquecido”. Foi tirando, tirando, pensando que seus recursos fossem infinitos, e sua fúria apareceu. Está aí e não foi para o castigo. Foi para avisar que ela também precisa descansar.
Bom seria que se ponderassem. Tirassem um pouco de verde daqui, depois um pouco de lá. E esperassem ela rebrotar.
Da natureza não se pode descuidar. Ou melhoramos a nossa conduta com relação ao cuidado ou ela pode não nos querer mais.
Continuará... mas sem nós.
Para ajudar o apelo do saci, buscamos o pensamento do grande teólogo Leonardo Boff e ele ainda esclarece: “... quando um tempo se apresenta em crise, é porque está pedindo mudança de conduta”.
A hora é essa. O Saci tem uma turma, com bonecos pequenos e gigantes, juntos vamos às escolas, praças, fazemos sarau, festas, dizendo que sua arte nesse momento é preservar.
E preservar o quê? A vida, nosso bem maior.
Todos viemos da mesma fonte que é o Deus criador; precisamos cuidar uns dos outros e tudo à nossa volta, como no começo da história, na unidade.
Meu parceiro de cantoria de São Luiz do Paraitinga, outra parte do meu sertão, compôs esta canção e vamos cantando, inspirando jovens e adultos a “ensacizar”, propondo cuidado com a natureza e com a cultura popular brasileira, fortificando nossa identidade e saúde coletiva.
A ARTE DO SACI É PRESERVAR
Luiz Henrique Moradei
Mora no bambuzeiro
Sua casa é ao luar,
Vem no redemoinho
No assovio passarinho, a cantar
No carnaval ele vem ensacizar (bis)
Quando ele assobia é para avisar (bis)
Que da natureza, não se pode descuidar (bis)
A arte do saci é preservar (bis)

Vamos "ensacizar" na energia travessa, compromissada com a conexão entre os homens e o mundo natural! O Saci semjpre nos alerta para os cuidados com a nossa mãe natureza! E o clima é de festa, pois o Saci é arteiro e sabe que na cultura popular mora a saúde de um povo! Nossa querida acadêmica Rute Eliana nos dá o toque, pois entende do riscado!
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